| Movie | Rating | Review | Date | Your Rating | Match | |
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| The Bellboy - Unrated |
Talvez tenha sido muito bom, mas não é mais. Cai na categoria do "datado", a qual a comédia talvez esteja mais exposta que os outros gêneros. Contabilizei 3 risadas. A comédia não é muito lá crível. Faltam personagens "escada" para que Jerry Lewis cresça. O protagonista mudo só poderia sobreviver com situações hilárias. Não é o caso. Na média tudo é bobo. Não se pode dizer que o espectador foi enganado. A introdução avisa: é um filme sem história e muito bobo. Dou razão. O bom é que é curto. Não digo em um sentido pejorativo de "é ruim mas passa rápido". realmente gostaria que houvesse mais filmes de 60 70 e 80 minutos. |
December 16, 2009 | N/A | |||
| Singin' in the Rain - G |
Grande filme. Optar por vê-lo parece somente uma forma de pagar tributo a um clássico e ficar somente esperando pela cena mais famosa, como se ela fosse o único atrativo. Que nada! O filme tem uma temática e um 'approach' muito bem definidos. E, acredite, a narrativa tem um (por mim) inesperado teor crÃtico. Há uma contraposição permanente entre a vida não-autêntica e aquela que tem aura verdadeiramente humana. Isso comparece em muitos momentos. A denúncia das estrelas de cinema com suas biografias fabricadas por publicitários é o caso mais claro, mas há muitos outros. Um exemplo é a trajetória do protagonista ascendendo desde a posição de dublê (vejam a idéia do falso aÃ... ), passando por ator mudo 'canastrão', até chegar a consagração do grande ator e dono de um amor verdadeiro. Os elementos que dão movimento à narrativa - quais sejam, o amor verdadeiro e a tensão da indústria cinematográfica com a introdução dos filmes falados - são, na verdade, formas de a autenticidade bater na porta e bagunçar o mundo de pequenas hipocrisias. O humor também é acima das expectativas (com destaque para a atuação de Donald O'Connor). Sobre as cenas efetivamente mais musicais é óbvio que há coisas inacreditáveis. A cena clássica da chuva é, definitivamente, linda. É justamente a consagração da felicidade autêntica, que não é necessário demonstrar aos que nos cercam, sentida como nunca dantes, e que transborda enquanto Gene Kelly dá mais graça ao cenário urbano e quase deserto com seus passos. Há um jeito de expressão de uma alegria espontânea que permeia a cena e a faz muito especial. Mas... não é a única cena musical fantástica. Impressiona muito a longa cena final sobre a Broadway. Linda produção! Cheia de detalhes e indas e vindas. Pena que costuma ficar na sombra da cena mais famosa... Veja o filme inteiro e aproveite os pedaços menos consagrados. São ótimos! |
December 12, 2009 | N/A | |||
| (500) Days of Summer - PG-13 |
É bom, sem dúvida. Se te apresentarem como o "filme do ano", não crie uma expectativa desse tamanho, mas meu palpite é que vá assistir. A crença no amor os divide. Só que há a inversão do caso clássico. O sentimento nobre que move o rapaz, para a mocinha é "bullshit". O desapego e o descompromisso dela é o que atormenta o rapaz (já tão cheio de sonhos frustrados... ). Grandes trilha sonora! Sempre bem colocada e pontuando muito bem as cenas ("I love the Smiths", diz a protagonista, "e nós também", responde a platéia). Tem umas imagens tão bem sacadas que fazem do cinema mais cinema (muito embora elas insiram-se quase como "do nada" e percam espaço logo em seguida para planos e luzes mais tradicionais). Acho que a cronologia irregular na qual a trama se move e o jeito inadequado dos protagonistas - forçosamente indecisos de como agir em sua relação o tempo todo - já são por si só uma metáfora da dificuldade dos relacionamentos amorosos de nosso tempo. É o desencontro que não entendemos. Como explicar que as pessoas se inclinem umas para as outras e se evitem com intensidade tão similar? São 500 dias para entender isso. O filme poderia nos deixar com respostas mais vagas (e mais realistas). Infelizmente, cede a esperança ao 'happy end' forçado. Faltou ao roteirista ouvir um pouco mais das músicas que embalaram a trama. |
December 5, 2009 | N/A | |||
| Persepolis - PG-13 |
Tem estilo no traçado, fundamental para um desenho que encante. Tem também o olhar liberal sobre a repressão tirânica do regime do Irã, algo que fará necessariamente que nós (que nos vemos como democratas e defensores do valor da escolha individual) nos identifiquemos com a biografia da pequena Marjane. Tem ironia e sagacidade pop, exercidas por uma protagonista que se situa em uma zona de simpático bom humor (se é que eu consigo me expressar). Tudo isso contribui para a compreensão leve do problema profundo do terror da guerra e da perseguição polÃtica. Mas a bem da verdade o filme se emancipa dessa denúncia e mostra outras dimensões humanas que decorrem daÃ. Todos os limites que se erigem nas possibilidades de "curtir a vida", ou seja, de ouvir música, de ter um namorado, ou o quer que seja que se passe na pequena vida de Marjane, são apresentados ao espectador. Nada que não se possa imaginar, mas que faz mais sentido quando colocado na tela em preto e branco. Fica como recomendação. |
December 5, 2009 | N/A | |||
| Taking Woodstock - R |
Distrai e diverte, mas promete mais do que cumpre. Traz em si um olhar sobre os laços humanos improváveis que se formam com o evento, seja pelo trabalho ou pela crença em um ideal. A realização de um festival de música em um lugarejo do interior americano - o tal do festival de Woodstock - coloca em relação comerciantes locais conservadores, judeus-russos falidos, jovens empresários do showbusiness, hippies, travestis e outros tantos ingredientes para essa sopa. Isso é certamente o que filme traz de mais belo: nos faz refletir sobre a humanidade que nos liga e nas tensões que se desenham pelas posições que assumimos perante a vida. Não deixa de ser encantador também como o próprio festival de música é deixado de lado para mostrar somente as pessoas perambulando em meio a massa. Os shows ficam propositadamente em segundo plano em relação à viagem transformadora pela qual passa cada um daqueles personagens, seja a viagem da libertação ou a viagem revelação da mesquinharia. No entanto, esse tom perambulante, ao qual elogiei acima, dá a impressão também de uma trama mal formada e indefinida. Vale acrescentar também o quanto o filme demora a engrenar e a pouca profundidade do personagem principal. Mas há lama, algum amor, capitalismo e desejo de libertação. Vida pulsando e sinergia. Tudo ao mesmo tempo agora. |
December 5, 2009 | N/A | |||
| Up - PG |
Tem carga emocional e inspira simpatia. Os traços são bonitos e a viagem se faz metafórica. Metáfora dos sonhos passados, dos amigos que se faz no caminho, na fidelidade aos valores que inspiram a jornada. Tem gosto de liberdade aconchegada, como só uma casa suspensa por balões pode dar. Mas, estranhamente, na minha experiência, também carregou uma sensação de solidão. Há poucos personagens e seus laços são todos frágeis e transitórios. O que fica, ao final, é valor não dos personagens e de sua vivência, mas sim o valor do sonho e a idéia de que toda caminhada pode virar um vôo. Não mudará o mundo, mas emociona. |
October 4, 2009 | N/A | |||
| Aquele Querido Mês de Agosto (This Dear Month of August) - Unrated |
Dentro do universo de desconstrução das narrativas tem uma proposta absolutamente válida. E mais que isso. Um desafio. O desafio de fazer a conexão entre algo próximo ao documentário e a ficção. Ligar a documentação da pré-produção de um filme ficcional e ele próprio. Entendo que não funcionou bem. Da primeira parte saí muito encanto com o universo da pequenas vilas portuguesas. Me peguei pensando no poder mágico do cinema de transportar o espectador e apresentar-lhe realidades tão longínquas. Adorei as pequenas histórias da serra que, segundo quem conta, "não interessam a ninguém", mas que são fascinantes. Cheguei mesmo a pensar que o filme se construiria pelo contraste entre um estilo musical que se alimenta de vários elementos pop e tecnológicos (que pouco se assemelha ao que se esperaria de uma "música tradicional" dos lugarejos de Portugal) e o universo da pequena comunidade, que nada tem de global. Estava satisfeito. Mas também estava errado. Em algum momento o filme vira e se torna a história que os produtores diziam na primeira parte que queriam contar. Achei chatérrima. Boba e interminável. Confesso nem ter prestado tanta atenção em seus detalhes, tal o caráter folhetinesco que nela eu via. E e só. |
October 1, 2009 | N/A | |||
| Okuribito (Departures) - PG-13 |
A música, a morte e o amor se combinam para criar uma bela história. Não que seja uma história de imensa profundidade. Mas encanta em alguns trechos. Há multiplas partidas no filme, de modo que se poderia dizer que é o seu tema principal. A orquestra que se dissolve, a busca de uma nova cidade, o abandono do pai, as muitas mortes, a companheira que resiste a viver com alguém que realiza um trabalho como o de Daigo, e outras tantas, todas ela são partidas, algo que é e deixa de ser e por isso mesmo marcam profundamente a vida dos personagens. Mas ouso dizer diferente. Entendo que o tema mais forte da película é o trabalho. Em primeiro lugar, a posição difícil em que o personagem se inscreve se deve à natureza de seu trabalho. Lidar com a morte é uma função culturalmente menos honrosa. Sobretudo quando comparada com a de músico de orquestra. Se o violoncelista pode tangenciar o sublime, os do mercado funerário têm de tocar o que se decompõe ou está a se putrefar. O filme apresenta as capacidades limitadas de Daigo para a música. Por outro lado, mostra seu talento inato somado com grande dedicação a um trabalho desonroso. Se o que primeiro lhe atrai é o bom pagamento (e aqui é um ponto interessante o de apresentar uma disjunção entre valor simbólico/cultural e valor de mercado de um trabalho) aos poucos ele mostra identificar-se com o trabalho de cuidar daqueles que partem. E nesse processo, o desempenho de seu trabalho se constitui como a prova de sua dignidade. Se a descrição do trabalho criou para Daigo uma reputação pouco favorável, afastando namorada e amigos, é quando realiza suas funções a frente de outros, tão concentrado e dedicado, que reconquista-os. O valor do trabalho se impõe por si só (e se impõe mesmo! o espectador não consegue não se encatar com cada dobradura de tecido, cada movimento de mão de Daigo... são a cenas mais bonitas do filme). Assim, o trabalho se mostra como dimensão de valor das pessoas. Por isso mesmo, defendo, é um filme sobre o trabalho. Isso remete um pouco a identidade japonesa, pensou eu. Há associação no senso comum entre trabalho e Japão. Quem trabalha muito, "trabalha como um japonês". Isso me dá oportunidade de fazer outras anotações sobre o Japão retratado. É bom ver na tela o Japão "longe demais das capitais", do interior e da vida pacata. Mas há também o que é apresentado de forma estereotipificada. O ritualismo toma conta de todo o filme. É o próprio filme, na verdade, uma vez que ele se centra nos rituais sobre a morte. Além disso, há a apresentação de closes típicos de mangá (que não a toa constam no trailer). É bonito ver a capacidade expressiva dos rostos apertadinhos dos japoneses, mas achei desnecessário. |
September 5, 2009 | N/A | |||
| Yellow Submarine - G |
Vale muito a pena pela experiência visual. As cores vem com velocidade e vivacidade. Impossível não pensar na quantidade de trabalho para fazer tudo aquilo. Impossível não pensar no quanto de imaginação antecedeu o trabalho. A história é bastante simples. Mas ainda sim, vista com a distância que as décadas trazem, revelam elementos bastante interessantes. Comparecem a força de determinadas idéias, um certo utopismo, o impulso contra-cultural e anti-caretice. O que se pretende é a música, a comunhão e que se faça ressoar o som do sim. Idéias que podem ser datadas mas permanecem fortes. Sobretudo quando pintadas em tão vivas cores. A tristeza (cinza e azul) é o que se pretende combater na cruzada do Fab Four. É uma certa ode psicodélica ao belo e à vida. E óbvio. Tem as canções. Que lindos clipes saem dali! O que dizer da representação das pessoas solitárias de Eleanor Rigby e de tantas outras que seria perda de tempo enumerar? Não me leia. Ouça-as. Veja-as. |
August 22, 2009 | N/A | |||
| Rocco e i suoi fratelli (Rocco and His Brothers) - Unrated |
Com belos takes em preto e branco, é bonito, sem dúvida. Mostra italianos complicados de entender. Seja no falar, seja nas atitudes intempestivas. Se a latinidade é um adjetivo cheio de conotações, os personagens do filme são latinos ao extremo. As ligações familiares são postas a prova com a morte de seu "chefe" e a migração. As tentações da cidade grande se antepõe aos laços. As trajetórias sofrem uma disjunção. A glória de um e a ruína de outro caminham lado-a-lado. Do irmão galã vem as qualidades mais nobres. Do outro, o vício. E assim, como polaridades opostas em um contínuo, permanecem ligados. No perdão, na dor e na esperança. Eu torci pelo herói e contra o laço. Sinal dos tempos. |
August 20, 2009 | N/A | |||
| Being There - PG |
Muito bom! Da premissa simples nasce um filme verdadeiramente belo. Tão adorável quanto seu protagonista. Peter Sellers não está lá pra fazer graça. Tem sim uma atuação brilhante e comovente. Chance, encastelado a vida toda, sai pela primeira vez para o universo público. Não parece ter uma maturidade cognitiva completa. Não parece conhecer muito sobre o mundo e sobre os homens. E assim sai pro mundo. Nele só encontra conforto olhando para os hipnóticos aparelhos televisores de que tanto gosta. Ao acaso, Chance recai no mundo protegido dos ricos. E lá Chance vira Chauncey. Se coloca enigmático, tamanha a paz de espírito que transmite. Sua simplicidade e seu conhecimento dos jardins são lidos como metafóricos. Assim ganha sucesso nacional. O tonto é interpretado como sábio e nos faz pensar nas fronteiras entre uma coisa e outra. Pensar no quanto não sabemos exatamente o que é o profundo e o que é o superficial. Sua humanidade transborda o tempo todo e remete ao bom selvagem, àquilo que é puro, e que assim contagia. A cena final é deliciosamente poética. Ótimo filme. |
August 20, 2009 | N/A | |||
| Be Kind Rewind - PG-13 |
Se você espera por algo a altura do já clássico "Mente eterna de uma mente sem lembrança", esqueça. "Rebobine por favor" é um filme bom para distrair duas horas mortas, não muito mais que isso. Não me entenda mal. Há coisas boas. Só não tem a originalidade e o vigor do filme que Michel Gondry dirigiu quatro anos antes. Entre as coisas boas está rever um EUA perdido desde a Era Clinton. A recuperação econômica fez sumir do grande cinema os locais pobres, sujos e simplórios da América. E a locadora está em um desses pedaços perdidos. Gostei. O mérito mais óbvio do filme está na consagração da paródia "trash" como forma cultural legítima. O grande sucesso das versões "suecadas" no bairro mostra (mostraria) o quanto o trash se tornou um código estético aceito e, mais, desejado pela audiência. Mas não é só por isso que o filme deve ficar marcado. Tão forte quanto isso é o utopismo romântico das pessoas comuns que se opões aos poderes do Estado e das forças capitalistas. Os habitantes daquele microcosmo não querem ver as produções holywoodianas, querem ver as suas reinterpretações toscas feitas por seus vizinhos; não querem entregar seus prédios para o plano de demolição do poder público, não se entregam nem diante da frieza dos números; querem construir juntos um cinema "puro", que seja feito por eles e para eles. Embora beire a uma idéia batida, por um lado, e o piegas, por outro, não dá para negar o vigor que existe na demonstração das pessoas comuns vivendo suas questões. E no que vivem, deliberam sua história coletivamente. Como se não aceitassem a sua condição, se colocam deliberadamente a inventar a trajetória da comunidade e colocá-la na tela. É essa a metáfora das fitas que se apagam. A rejeição ao mundo real. Quando as fitas perdem seu conteúdo, é uma parte da realidade que desaparece. Os habitantes, no fundo, rejeitam as limitações e as imposições que o mundo lhes apresenta. Libertam-se quando apagam o que lhes foi passado e recriam sua realidade com o apoio do cinema e de sua capacidade de promover a fantasia mais sincera, ainda que mal acabada. É bonito. Uma nota final: Não consigo imaginar decisão mais infeliz do que a que criou o subtítulo em português. "Rebobine, por favor - Uma Loucadora Muito Louca". Lamentável. |
August 11, 2009 | N/A | |||
| The Party - PG |
O inadequado ao extremo. Não à toa o personagem é um estrangeiro. É o arquétipo do que não se encaixa, do que estranha e é estranhado. E ele segue vagando pelo salão. No que tenta se enturmar, se divertir ou se distrair, evade comicamente as boas maneiras. Exceto a introdução, toda ação se passa durante uma festa da alta sociedade holywoodiana e quase tudo que dá errado deve-se ao Indiano interpretado por Peter Sellers. Quando não é com ele, a graça vem do garçom bebum. É essa a trama. Nada mais. Parêntese: pensei enquanto via como o mundo está mudando. Enquanto no final dos 60 o personagem ridículo é o que não consegue se adaptar aos cerimoniais dos ricos e chiques, nos dias de hoje o mais comum é ridicularizar o pedantismo e a superficialidade desse tipo de gente. Mas esqueçam isso porque o filme é para ser engraçado. O filme cresce. Vai de um início onde o ritmo das piadas é um pouco quebrado para um final que se aproxima do absurso. Há beleza na catarse final cheia de espuma. |
August 10, 2009 | N/A | |||
| Deconstructing Harry - R |
Woody Allen levando Woody Allen ao limite. O humor ácido? Está lá. O protagonista escritor-neurótico-frustrado vivendo em NY? Está lá. O ar psicanalítico tomando conta das cenas e do roteiro? Está tudo lá. Mas tudo parece estar em uma nova fronteira. Parece que o filme é um pouco mais corajoso e intenso que o seu habitual. Por isso mesmo é, para mim, o melhor dele que vi até hoje. As cenas tangenciam mais o absurdo. A edição tem cortes menos tradicionais. O elemento do "homem fora de foco" é estetica e metaforicamente brilhante. A trama, por si só, expõe mais a subjetividade de Allen e seus transtornos a partir de uma mistura constante entre a "ficção" das criações de um escritor que se inspira em sua biografia e a "realidade" da trama que se vê na tela. Esses dois níveis se misturam delicada e violentamente. A confusão entre os planos cresce, de forma sutil, até a consagração final. E me parece que essa mistura de planos se interliga a um terceiro nível: o da realidade fora da tela. Ao se expor como o neurótico, nova-iorquino, auto-biográfico, obcecado com as questões de sempre, se confundem e se esclarecem o personagem, as criações desse personagem (que é um escritor de "ficção") e o ator/diretor Woody Allen. Elevar Allen à última potência, em todos os seus traços característicos, não seria um grande jogo para confundir autor, obra e obra dentro das obras? Em "Desconstruindo Harrry" (atenção para o título!) ele se faz personagem de um personagem de si mesmo. E é por isso que se revela e se reafirma. Está tudo lá. Com divãs, tesão, cinismo, jazz e muitos diálogos inteligentes e engraçados. |
July 26, 2009 | N/A | |||
| 12 Angry Men (Twelve Angry Men) - Unrated |
Um filme sobre o imenso poder da dúvida na vida humana. O protagonista é cartesiano em um sentido que o sentido pouco costuma ser aplicado: o personagem de Henry Fonda pratica a dúvida radical. A ação se dá basicamente em uma sala. Nela, sob calor, tensão, chuva, risos, os personagens vão se revelando e criando uma pequena história interativa. Em um processo de persuação paulatina, a dúvida faz eco. Deixa de ser teima para transformar-se em "dúvida razoável". O juri - isolado, desligado de quase tudo que não seja suas memórias, sentimentos e imaginação - se coloca como um corpo autônomo na produção de uma verdade, ou mais exatamente, de uma dúvida. Não há uma mulher na sala, é bem verdade, mas há uma igualdade abstrata, própria da posição de indivíduo, que se coloca o tempo todo: seja um "simple worker" ou um publicitário convencido, suas convicções tem o mesmo valor. E quem se atreve a contrariar esse preceito básico tem de ouvir ritualisticamente o "Who do you think you are?". É o processo de construção da dúvida e de seu poder, permeado por tensão e sagacidade, que assistimos se desenrolar. As certezas, a força dos testemunhos, dos "fatos" e dos indídios se derretem. Tem imenso vigor. Premissa simples, roteiro bem conduzido, atuações brilhantes. |
July 26, 2009 | N/A | |||
| Pretty Woman - R | July 7, 2009 | N/A | ||||
| What's Up? (Ódiquê?) - Unrated |
AAAAAAAAAHHHHH, Moleque! Mermão, vou te mandar o papo reto: é muito real a parada. Fui jovem no Rio de Janeiro no final dos 90 e creio que posso dizer: todos os trejeitos, linguagens, explosões e variações emocionais, olhares, empurrões, empolgações, temas de conversa, "zoações" estão muitíssimo bem retratadas. Talvez não diga tanto a alguém que não viveu esse universo - embora isso seja só uma hipótese minha - mas para mim o filme diz muito. A trama é secundária em relação aos personagens. O forte do filme, aliás, está no retrato que faz dos protagonistas. A vontade de "tirar uma onda" está sempre presente. É a motivação básica. A gramática nesse movimento é toda ela profundamente masculina. Sexualidade, agressividade, companheirismo. Os diálogos guardam sutis e preciosas mensagens sobre as escalas de valores dos rapazes. Sensacional a presença das "mulheres". São representadas por uma só porque são intercambiáveis. Não são pessoas em sua profundidade. São sempre "uma mulérzinha". Um filme barato, mas profundamente rico. Faz acreditar no quanto cinema pode ser forte (ao ponto de você acreditar na transpiração dos personagens!) sem recurso a truques caros. É vida na tela. E só. |
July 4, 2009 | N/A | |||
| What Is It Worth It? (Quanto vale ou e' por quilo?) - Unrated |
Bom em alguns aspectos, ruins em outros. O filme coloca questões importantes para vida cívica. Trata de como a lógica do dinheiro se autonomiza diante da lógica da solidariedade e a submete. Mostra o "altruísmo" se expressando na linguagem empresarial do investimento, do custo/ benefício, do retorno para as marcas, sem deixar espaço para muitas considerações éticas. Fala também de todo o segmento de mercado que se criou nos últimos tempos e tem na solidariedade o seu 'business'. Entretanto, para demonstrá-lo, faz dos segmentos "incluídos", tão canalhas, hipócritas, nojentos e forçadamente indiferentes à dignidade humana dos necessitados, que beira o inverossímil. Um maniqueísmo atroz, que encontra eco em atuações canastríssimas (Oh, Caco Ciocler... você é um bom ator, vai?). E não é só na realização dos "projetos solidários" que essa falta de verossimilhança se revela. As violências são igualmente in-críveis. O sequestro engajado do "vilão" pelo "oprimido", por exemplo, é algo que só existe nos sonhos do intelectual. O excesso de malvadeza atribuída pelo filme aos que se guiam pela lógica do dinheiro aparece principalmente no plano do presente (sec XXI). No plano do Brasil da escravidão (sec XIX), com o qual se sugere analogia, há boas seqüências e o discurso do ser humano como mercadoria se ajusta melhor. Agora, os defeitos não podem esconder os méritos. As questões que movem o filme, em princípio, são boas e politicamente importantes (quem não vai concordar que o nome do filme é brilhante?). Só que a transposição das questões para o roteiro e para atela é mal realizada. Ou ao menos assim senti. Esteticamente, há alguns planos muito bons e o efeito cambiante da linguagem - que por vezes deixa de ser ficcional e exibe caráter documental - é bastante interessante. As atuações ruins eu atribuo a própria concepção do filme. |
July 4, 2009 | N/A | |||
| The King of Comedy - PG | July 1, 2009 | N/A | ||||
| Beverly Hills Cop - R | July 1, 2009 | N/A | ||||
| La Historia Oficial (The Official Story) - R | July 1, 2009 | N/A | ||||
| Dances With Wolves - PG-13 | July 1, 2009 | N/A | ||||
| Shine - PG-13 | July 1, 2009 | N/A | ||||
| Breakfast at Tiffany's - Unrated | July 1, 2009 | N/A | ||||
| Che: Part One (The Argentine) - R | June 30, 2009 | N/A |